Bibliografia
1- João introdução e comentário (Autor > F.F. Bruce) Editora VIDA NOVA
Z(João 4:1) - E QUANDO o Senhor entendeu que os fariseus tinham ouvido que Jesus fazia e batizava mais discípulos do que João
(Este boato circulava principalmente incentivado pelos fariseus que se inciumavam da fama de João Batista e de Jesus e como eles atraíam grande número de seguidores, e movido pelo grande amor de Jesus por João Batista, Ele resolve deixar a Judéia)
(João 4:2) - (Ainda que Jesus mesmo não batizava, mas os seus discípulos),
(João e Jesus não eram os único líderes de movimentos "batismais" na Judéia naquela época. Todavia, o batismo iniciatório definitivo administrado por João Batista, e depois por Jesus (mesmo que por seus discípulos), tinha um significado bem diferente dos repetidos mergulhos de purificação dos outros movimentos.
Quanto a nota entre parenteses é atribuida a algum tradutor a partir da compreenção de que era comum os dissípulos efetuarem os batismos e não seus Mestres)
(João 4:3) - Deixou a Judéia, e foi outra vez para a Galiléia.
(Jesus se afasta de João Batista indo para a Galiléia, preservando assim João e seus discípulos de intrigas que naturalmente surgiam e eram incentivadas pelos seus opositores e que em nada agradava a Jesus.)
(João 4:4) - E era-lhe necessário passar por Samaria.
(Samaria ficava entre a Judéia, ao sul e a Galiléia, ao norte. Por isso, quem quisesse ir da Judéia para a Galiléia precisava atravessar a província de Samaria a não ser que estivesse disposta a fazer um desvio pela Transjordânia, habitada a maior parte por gentios. Quando as dez tribos de Israel foram transportadas para o cativeiro na Assíria, milhares dos pobres ficaram na terra. Sargom II, rei da Assíria, trouxe gente de Babilônia, de Cuta, de Ava, de Hamate e de Sefarvaim, para colonizar o país, 2 Reis 17:24. Isso resultou numa raça mestiça, Ed 4:2,9,10. Assim houve grande conflito entre êste povo e os judeus ortodóxos, que os consideravam como a judeus de segunda categoria por sua mistura com outras raças.)
(João 4:5) - Foi, pois, a uma cidade de Samaria, chamada Sicar, junto da herdade que Jacó tinha dado a seu filho José.
(leia Gn 48:22)
(João 4:6) - E estava ali a fonte de Jacó. Jesus, pois, cansado do caminho, assentou-se assim junto da fonte. Era isto quase à hora sexta.
(Somando 6 à hora sexta temos 12 horas - meio dia. Em pleno meio dia de sol quente Jesus cansa. João, ao se referir ao cansaço de Jesus revela a natureza humana de Cristo. Sendo Deus era também homem e sua natureza humana o tornava igual aos demais humanos com todas as suas limitações físicas.)
(João 4:7) - Veio uma mulher de Samaria tirar água. Disse-lhe Jesus: Dá-me de beber.
(As mulheres costumavam vir em grupo tirar água em uma hora fresca do dia. Esta mulher samaritana tinha um tipo de vida com a qual as demais mulheres não concordavam e não a aceitavam em seu meio, por isso veio naquele momento de sol de meio dia quando as demais não estariam ali. )
(João 4:8) - Porque os seus discípulos tinham ido à cidade comprar comida.
(João 4:9) - Disse-lhe, pois, a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana? (porque os judeus não se comunicam com os samaritanos).
(Embora este pedido parecesse natural vindo por parte de um viajante cansado, não o era visto que os Judeus consideravam o Samaritano pessoa de segunda categoria, mestiços e impuros, nem si quer dialogavam com um Samaritano; por isto a surpresa dela.
"A explicação da surpresa, dada pelo evangelista - outro dos seus parênteses típicos - não é simplesmente que os judeus não se dão com os samaritanos mas, deve ser observado, nem usam os mesmos utensílios. Se a mulher atendesse ao pedido de Jesus, ele teria de beber do seu jarro, já que não trazia nenhum próprio consigo. Para um judeu, isto envolveria um risco de contaminação cerimonial, mesmo se o possuidor do jarro fosse um homem samaritano; o fato de o possuidor ser uma mulher tornava o risco uma certeza, do ponto de vista de um judeu estritamente observante da lei. Não é de admirar que o pedido de Jesus tenha deixado a mulher atônita; pedindo um favor destes a ela, ele tinha demonstrado uma boa vontade totalmente inesperada.")
(João 4:10) - Jesus respondeu, e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus, e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva.
(João 4:11) - Disse-lhe a mulher: Senhor, tu não tens com que a tirar, e o poço é fundo; onde, pois, tens a água viva?
(O termo "água viva" era um termo usual para designar água de fonte corrente, água limpa e fresca. A que Jesus pediu a ela era água do um poço de Jacó, fresca e pura sim, mas não corrente. O poço de Jacó tem 30 mts de profundidade atualmente e naquele tempo talves fosse mais fundo. Da mesma forma que Nicodemos não ententeu "o novo nascimento", a mulher samaritana também não compriendeu o termo "água viva". Para os palestinos, bem como para qualquer habitante de lugares áridos como aquele, a água era tida como um presente de Deus e se fosse água de fonte corrente esta, era considerada uma dádiva ainda maior.)
(João 4:12) - És tu maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu o poço, bebendo ele próprio dele, e os seus filhos, e o seu gado?
(Na narrativa de Jacó no A.T. não há referência a este poço, talvez pertença ao contexto de Gn.33:18-20. Aqui ela coloca em dúvida a capacidade de Jesus cumprir a sua palavra.)
(João 4:13) - Jesus respondeu, e disse-lhe: Qualquer que beber desta água tornará a ter sede;
(O poço de Jacó foi por ele e sua família cavado naquele local, muito embora aquele era um local de muitas nascentes. Talves tenhão cavado para não irem até alguma das fontes onde seus opositores, que os fustigavam, lhe causavam certo perigo. Aquela água no entanto apenas tirava a sede momentânia.)
(Assim é a alegria que o mundo nos oferece, é apenas para o gasto, efêmera e passageira. Logo temos que voltar à fonte buscar mais um pouco de sua alegria que novamente desaparecerá qual quimera deixando apenas tristesa, depreção e desencanto.)
(João 4:14) - Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna.
(Qualquer um que pudesse cumprir uma promessa desta deveria ser mesmo maior que o pai Jacó, a mulher samaritana por certo imaginou esta possibilidade improvável.)
(Em Cristo encontramos a verdadeira fonte de água viva. Alegria do reecontro entre o homem e seu criador, Deus e Senhor. Alegria do restabelecimento do relacionamento rompido entre Adão e Deus no Édem. O retorno do homem a vida de intimidade com Deus. Fonte de júbilo e alegria que salta para a eternidade , que dura para sempre.)
(João 4:15) - Disse-lhe a mulher: SENHOR, dá-me dessa água, para que não mais tenha sede, e não venha aqui tirá-la.
(Até aqui ela ainda não havia compreendido de qual água realmente Jesus estava falando. Mais do que isto, estava provocando Jesus a dar-lhe desta água se fosse capaz. Sua dúvida era humanamente compreensível, mas em breve sua vida sofreria um impácto transformador que jamais imaginara.)
(João 4:16) - Disse-lhe Jesus: Vai, chama o teu marido, e vem cá.
(Agora era Jesus que a testava. Na realidade Ele queria apenas puchar um fio de meada, forçar uma refexão de vida, mudando radicalmente de "água da vida" para "relacionamento conjugal" com um propósito claro que ela compreendesse que Ele estava falando de algo além de sede de água mas de estilo de vida.
(João 4:17) - A mulher respondeu, e disse: Não tenho marido. Disse-lhe Jesus: Disseste bem: Não tenho marido;
(Agora estava surpresa pela mudança de assunto. Ele não a conhecia, portanto era só omitir detalhes e lhe dizer simplesmente: "Não tenho marido".)
(João 4:18) - Porque tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade.
(Com esta observação, o chão lhe foge. Suas particularidades de vida complicada de relacionamentos quebrados, truncados, estava inesplicavelmente diande dEle. Não esta claro a situação de seus relacionamentos anteriores. Se havia se divorciado deles. Se haviam morrido. O fato é que estava vivendo um relacionamento irregualar, pois era o homem marido de outra mulher. Definitivamente este homem não era como os demais. Hávia algo nEle que o tornava especial, quem sabe fosse um profeta....)
(João 4:19) - Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta.
( "Um estrangeiro que podia ler a história da vida da mulher como se fosse um livro aberto não era um homem comum; sua percepção era indício do dom de profecia. Os samaritanos não reconheciam o cânon da profeica pós-mosaica que forma a segunda divisão da Bíblia judaica. Na opinião deles, a afirmação de Deuteronômio 34:10, "Nunca mais se levantou em Israel profeta algum como Moisés" permanecia absoluta e válida até que viesse o segundo Moisés, o Taheb ou grande profeta da nova era, a quem esperavam. Não se poderia esperar nenhum outro profeta entre o primeiro e o segundo Moisés. Portanto de a mulher estava usando o termo profeta com seriedade, ela já estava à beira da grande descoberta da identidade do estrangeiro, à qual e breve ela chegaria: um homem que podia dizer-lhe tudo o que já t inha feito só poderia ser Aquele que vem em pessoa." ¹
(João 4:20) - Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar.
(Havia um grande desacordo entre judeus e samaritanos quanto ao lugar onde deveriam adorar a Deus. Em Deuteronômio 12:5 - Mas o lugar que o SENHOR vosso Deus escolher de todas as vossas tribos, para ali pôr o seu nome, buscareis, para sua habitação, e ali vireis.(Deuteronômio 12:6) - E ali trareis os vossos holocaustos, e os vossos sacrifícios, e os vossos dízimos, e a oferta alçada da vossa mão, e os vossos votos, e as vossas ofertas voluntárias, e os primogênitos das vossas vacas e das vossas ovelhas.
Judeus adoravam em Jerusalem e eles, naquela montanha, mas esta era uma questão interesante para lhe arguir. Quem sabe colocá-lo em dificuldade.
A bíblia não identifica específicamente o lugar o que fez com que chegassem a conclusões diferentes, ainda mais aguçadas pelos sentimentos preconceituosos que dominava, e ainda domina até hoje os dois grupos.)
(João 4:21) - Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai.
(Jesus colocava fim a discução. Não aonde mas como. Aqui Jesus falava do PAI, isto é, afirmava ser o filho de Deus.)
(João 4:22) - Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus.
(Novamente afirma que a salvação vem dos Judeus, isto é, o Messias vinha da tribo de José, portanto o Taheb não seria um samaritano e sem um judeu)
(João 4:23) - Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.
(João 4:24) - Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.
( Não era onde mas como adorar. Em espírito. Quando Ele me esnsina chamar de Pai, isto denota intimidade, uma ligação espiritual. Estar com o Pai e adorá-lo em espírito era a nova ordem .)
(João 4:25) - A mulher disse-lhe: Eu sei que o Messias (que se chama o Cristo) vem; quando ele vier, nos anunciará tudo.
( Aqui a mulher joga a toalha e deixa para o Messias que haveria de vir (o Cristo),
a palavra final.)
(João 4:26) - Jesus disse-lhe: Eu o sou, eu que falo contigo.
( Aqui Cristo se apresenta pela primeira vez como Messias. Até este momento vivia normalmente fazendo seu ministério sem nunca ter afirmado que era o Messias.)
(João 4:27) - E nisto vieram os seus discípulos, e maravilharam-se de que estivesse falando com uma mulher; todavia nenhum lhe disse: Que perguntas? ou: Por que falas com ela?
(Os discípulos se admiraram de ver Jesus conversando com uma mulher , pelo menos por dois "bons" motivos - primeiro porque tinha-se por uma tremenda perda de tempo um Rabi (mestre) falar com uma mulher - segundo porque além de uma mulher era samaritana. Por outro lado, sabiam de experiência própria que Jesus não jogava palavra fora. Quando se conversava com alguem tenha sempre um propósito.)
(João 4:28) - Deixou, pois, a mulher o seu cântaro, e foi à cidade, e disse àqueles homens:
(João 4:29) - Vinde, vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito. Porventura não é este o Cristo?
( O fato de Jesus ter se revelado como Messias pela primeira vez a uma mulher, tem seu ponto em comum com quando Ele se revelou, logo após a sua ressureição, apresentando-se diante de Maria Madalena.)
(João 4:30) - Saíram, pois, da cidade, e foram ter com ele.
( Ela deve ter sido bem convincente pois um grupo rasoável de pessoas seguiu-a da cidade até ao poço onde Jesus continuava confabulando com seus dissípulos.)
(João 4:31) - E entretanto os seus discípulos lhe rogaram, dizendo: Rabi, come.
( Enfim seus dissípulos tinhão se abastecido de comida na cidade e como aquela altura Jesus deveria estar traspassado de fome, lhe ofereceram alimento.)
(João 4:32) - Ele, porém, lhes disse: Uma comida tenho para comer, que vós não conheceis.
(A que outra comida Jesus se referia? Evidentemente se referia ao alimento espiritual que havia servido aquela mulher e que lhe alegrava imensamente, tanto que lhe havia tirado o apetite..... NEM SÓ DE PÃO VIVERÁ O HOMEM....)
(João 4:33) - Então os discípulos diziam uns aos outros: Trouxe-lhe, porventura, alguém algo de comer?
( É interessante notar que nem a mulher, nem tão pouco os dissípulos compreendiam quando Jesus falava de coisas materiais ou espirituais. É como se Jesus estivesse, e defato estava, sempre um passo a frente.)
(João 4:34) - Jesus disse-lhes: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra.
( Fazer a vontade do Pai era tudo que Ele mais se alegrava em fazer.)
(João 4:35) - Não dizeis vós que ainda há quatro meses até que venha a ceifa? Eis que eu vos digo: Levantai os vossos olhos, e vede as terras, que já estão brancas para a ceifa.
(João 4:36) - E o que ceifa recebe galardão, e ajunta fruto para a vida eterna; para que, assim o que semeia como o que ceifa, ambos se regozijem.
(João 4:37) - Porque nisto é verdadeiro o ditado, que um é o que semeia, e outro o que ceifa.
(João 4:38) - Eu vos enviei a ceifar onde vós não trabalhastes; outros trabalharam, e vós entrastes no seu trabalho.
(João 4:39) - E muitos dos samaritanos daquela cidade creram nele, pela palavra da mulher, que testificou: Disse-me tudo quanto tenho feito.
(João 4:40) - Indo, pois, ter com ele os samaritanos, rogaram-lhe que ficasse com eles; e ficou ali dois dias.
(João 4:41) - E muitos mais creram nele, por causa da sua palavra.
(João 4:42) - E diziam à mulher: Já não é pelo teu dito que nós cremos; porque nós mesmos o temos ouvido, e sabemos que este é verdadeiramente o Cristo, o Salvador do mundo.
(João 4:43) - E dois dias depois partiu dali, e foi para a Galiléia.
(João 4:44) - Porque Jesus mesmo testificou que um profeta não tem honra na sua própria pátria.
(João 4:45) - Chegando, pois, à Galiléia, os galileus o receberam, vistas todas as coisas que fizera em Jerusalém, no dia da festa; porque também eles tinham ido à festa.
(João 4:46) - Segunda vez foi Jesus a Caná da Galiléia, onde da água fizera vinho. E havia ali um nobre, cujo filho estava enfermo em Cafarnaum.
(João 4:47) - Ouvindo este que Jesus vinha da Judéia para a Galiléia, foi ter com ele, e rogou-lhe que descesse, e curasse o seu filho, porque já estava à morte.
(João 4:48) - Então Jesus lhe disse: Se não virdes sinais e milagres, não crereis.
(João 4:49) - Disse-lhe o nobre: Senhor, desce, antes que meu filho morra.
(João 4:50) - Disse-lhe Jesus: Vai, o teu filho vive. E o homem creu na palavra que Jesus lhe disse, e partiu.
(João 4:51) - E descendo ele logo, saíram-lhe ao encontro os seus servos, e lhe anunciaram, dizendo: O teu filho vive.
(João 4:52) - Perguntou-lhes, pois, a que hora se achara melhor. E disseram-lhe: Ontem às sete horas a febre o deixou.
(João 4:53) - Entendeu, pois, o pai que era aquela hora a mesma em que Jesus lhe disse: O teu filho vive; e creu ele, e toda a sua casa.
(João 4:54) - Jesus fez este segundo milagre, quando ia da Judéia para a Galiléia.
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